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depoimento – sergio – dafra laser 150

Sou proprietário de uma dafra laser 150. Não sou fanático pela marca, pois é só um nome de uma montadora. Estou satisfeito com ela, pois é uma moto dentro da categoria das scooters (mini GY6 até 125 e GY6 de150cc para cima) que impõe mais respeito no transito, pela sua aparência, pois ela é maior e muitos não sabem, que ela foi concebida para receber também motor 250cc, mas lá fora. A minha ainda cobri tipo BMW c1e.  Faz muito sucesso.

Não concordo com a abordagem dos comentários em geral sobre as scooters, comparando-as com as motos convencionais, de conceitos diferentes, pois as scooters possuem carenagem, são tipicamente urbanas, tem acesso diferente para o piloto, transmissão cvt e outros requisitos positivos.

Um dos nossos problemas com as scooters são as ruas das nossas cidades. Moro em porto alegre-rs e apesar do asfalto, as nossas ruas são verdadeiras escadas deitadas, nada ideais para scooters que são motos urbanas sem culpa das suas fragilidades. A minha moto, preciso revisá-la toda a semana porque ela se quebra, assim como outras motos. O motociclista precisa ser curioso e colocar a mão na graxa às vezes, senão nenhuma moto barata é boa, se deixada só nas mãos das autorizadas. Mecanicamente ela não dá problemas, a regulagem é simples mas as outras oficinas não gostam de manusear por causa da carenagem, cada moto tem um esquema de desmontagem e demora. O desconhecimento maior é na transmissão e acesso à compra de peças. Eu aprendi a trocar a correia de transmissão e os demais volantes de transmissão (sempre carrego uma correia comigo) troquei a caixa do filtro de ar por filtro esportivo (ainda estou aprendendo e gostando), tudo graças a uma amizade com o dono de uma oficina de motos. Foi necessário.

Na Europa as scooters são maioria, devido à sua simplicidade mecânica por utilizarem o mesmo conceito de motor desde o pós guerra, sendo a grande maioria dos motores montados na china e as montadoras desenvolvem melhorias em tecnologias dos materiais empregados, nos periféricos e no conforto (ver como exemplo a piaggio mp3). Lá não é só o Cacciola que anda de scooter mas a grande maioria (acima de 80%) pois as ruas permitem a sua utilização, os custos de aquisição e manutenção são outros, o ganho dos europeus são diferentes e a scooter protege o piloto muito mais do que as motos convencionais, sem falar de certos preconceitos  daqui sobre as scooters. (na Europa quase não se vêem  as 125/150cc como aqui, ou é scooter de 50 a 800cc ou motos convencionais acima de 500cc).

O outro problema são os nossos custos. Não adianta termos motos chinesas (ditas mais baratas) quando o governo nos cobra impostos incompatíveis com o retorno que nos dá e as autorizadas não conseguem manter sua estrutura sem cobrar caro suas peças. Querem ver um absurdo? Na revisão dos 6000 km da minha laser, trocaram as pastilhas dianteiras e me cobraram por elas 114,00 reais. As mesmas pastilhas no comércio custam de 16,00 a 20,00.  Na embalagem, não diz  “ para dafra laser” mas se o proprietário não for fuçador, as motos são de manutenção cara devido à políticas de preços das revendas (eu só falei de uma peça e na compra de peças no balcão eles te entregam fora da caixa para dificultar a identificação do fabricante). Em situação mais recente, com problemas de engasgue na estrada, descobri que era problema  elétrico e então pus a mão na massa. Tirei toda a carenagem e revisei todo o chicote elétrico de cabo a rabo. O que descobri? Conjuntos de fios que derivavam de diversas funções para uma, eram emendados a mão e prensados com uma latinha a um fio de mesma bitola até o comando. Absurdo elétrico. Quem fez isso? Refiz as emendas com solda e um fio um pouco mais graúdo e lá se foi o problema. Não falhou mais. Não é à toa que falam das revendas e da montadora. Com esses” vai e faz”, descobri que a montadora fez modificações no sistema elétrico e as revendas não sabiam. Confirmado por gente da oficina autorizada.

Em grupo de amigos que tem scooters, cada um está pesquisando onde conseguir peças mais baratas e oficinas capazes de consertar e não só trocadora de peças como as autorizadas as quais se acham as tais, com um produto tecnologicamente simples, ao invés de facilitar para que o consumidor compre mais os produtos da marca. Estamos conseguindo. Quanto às peças, a internet resolve nossos problemas, desde que você saiba as referencias, pois no meu caso ninguém na internet conhece a moto dafra, daí você deve conhecer bem o que tem na mão (no meu caso GY6-150cc). Encontramos uma oficina só de elétrica de moto a qual não troca peças, mas as conserta ou condena (no caso dos rebobinados ou caixas pretas lacradas) e funcionam como uma nova que nos custaria  2 a 3 vezes mais e ainda ligou os faróis dianteiros ao famigerado botão direito que não ligava nada, sem nenhum problema e ainda fiz amizade com o dono de uma oficina de motos a qual indico aos meus amigos.

Descobri também que se usar lâmpadas de má qualidade o consumo aumenta, afetando diretamente a bateria. Troquem por marcas conhecidas ou leds. (ex..as duas lâmpadas traseiras chinesas-sinaleira e freio- consumiam 12 amp., quando trocadas passaram a gastar 2 amp, agora coloquei leds, nem aparece o consumo) Devemos combater os descasos que nos são impostos e ter condições de cuidar mais da nossa moto e não criticar marcas, pois a nossa realidade é “ou você pode faze (ou pagar) ou até moto barata é cara”.

Espero que este meu relato tenha ajudado de alguma maneira a quem  quer ter ou tem uma scooter, pois acho que nosso mercado é grande, mas o desconhecimento sobre as scooters também é grande. Quando os usuários verificarem que as scooters são mais confortáveis (especialmente as de maior cilindradas) e permitem uma gama maior de acessórios de proteção, aí realmente o mercado reagirá. Mas os problemas maiores são as ruas, preços das motos e peças, oficinas e montadoras, que não cumprem suas funções.