História das Scooters no Brasil

Scooter um breve resumo

O tradução literal do nome é patinete , devido as primeiras lembrarem bastante esses brinquedos que eram febre nos EUA na época. O grande diferencial, era a inovação de se Não MONTAR e sim pilotar SENTADO, com o assoalho na frente para os pés, a carenagem típica é uma das marcas principais de reconhecimento de uma scooter, outra inovação foi a troca de marchas na manopla (com embreagem no manete, junto). Utilizavam um pequeno motor, mas potente de 2 tempos, que tem uma durabilidade notável, se tornando a um verdadeiro Cult, associada a aventureiros e a jovens revoltados. As marcas mais conhecidas são Vespa, Lambretta e Carina.

Com a modernização, foram criados projetos melhores, mas tradicionalmente de 50cc, algumas eventuais amais potentes, no Brasil chegaram na década de 70, mas pegaram mesmo a partir da década de 80/90 e eram muito raras (Como a Majesty250 da Yamaha), durante muito tempo as scooters 50cc não precisavam de CNH, e foram uma febre entre os adolescentes que mexiam nos motores para conseguir melhor desempenho

Hoje consideramos as Vespas e Lambrettas como scooters clássicas, motos como a Honda Biz, como CUB e scooters somente motos que além da posição de pilotagem,  tem câmbio automático CVT.

No mercado existiam apenas importadas como a Peugout Speedfight, entre outras, manutenção cara era um sinônimo de scooter. O tempo passou e só recentemente (em 2004) ela voltou aos holofotes com a vinda da Suzuki Burgman An125 e Sundown Future, a Yamaha percebendo o grande interesse lançou a NEO CVT em 2007, e em 2008 a DAFRA chega no mercado com um marketing de peso, mas de péssima qualidade, , também se registra alguns importadores que pipocaram o mercado com nomes diferentes do mesmo chassi/motor de scooter, parecidos com a Sundown Future, as famosas xing-ling .

Em 2009 chegou a Honda Lead, que no momento é a melhor opção de compra em todos os sentidos, durável e confiável, a partir de 2011 a Suzuki trouxe um novo modelo de Burgman para competir com a Lead, e a Dafra com sua Citycom300, e a nova Honda PCX esquentam o mercado.

Mas o que define uma Scooter?
A Honda BIZ/POP, não é considerada uma scooter, devido a se pilotar sentado e se trocar de marchas como uma moto, ela é uma crossover, mas é uma motocicleta com uma pequena carenagem a frente. Mas a NEO não é igual? Só consideramos a NEO CVT 2007(e posteriores) como sendo scooter, com o acréscimo do cambio CVT, maior area carenada, e novo design, anteriores a ela, o nome técnico para esse tipo de moto seria UNDERBONE, ou CUB.

Qual o maior diferencial em uma Scooter?
Em primeiro lugar o cambio CVT(nas modernas), do assoalho dianteiro plano, facilidade de transportar objetos, de se montar e para as mulheres a utilização de salto com destaque também para os porta-objetos, e da preparação para bauleto, que praticamente faz parte do visual de uma scooter, não destoando do design/estilo.

A carenagem dianteira protege do vento e de respingos de agua frontais e vindos do asfalto, sem se preocupar em sujar os pés ou a calça, ela também dá uma relativa proteção devido as pernas não ficarem expostas em caso de acidentes, mas ressaltando que claro, em acidentes você é jogado longe e ai a carenagem não significa nada. Segurança é tudo: Capacete fechado sempre!

Pode se ressaltar também a baixíssima incidência de roubos, mas claro que com a popularização em massa essa situação pode mudar. (Atualmente o índice é pequeno, devido a suas peças só serem encontradas nas concessionárias, é uma política das fábricas que não fazem vendas para lojas, mas isso pode mudar com o passar do tempo e elas cairem nas bocas e mercado negro.)

Outra vantagem é que como o CVT é contínuo, (não utiliza corrente nem engranagens com dentes, e sim correia de borracha presa sobre pressão/fricção entre polias variáveis) o motor sempre trabalha na rotação ideal, então o motor nunca será utilizado fora da sua margem segura de rotação, unido a manutenção correta a chance do motor ter mais durabilidade é grande.

Muitas scooters também são reconhecidas pelo seu pequeno pneu, algumas com um diâmetro intermédiário e as maxi-scooters(scooters de grande cilindrada) com um pneu mais largo, mas ainda assim, menor que o das motos convencionais. Pneu pequeno significa menor intervalo de troca em comparação a motos e maior sensibilidade as imperfeições do asfalto (principalmente as rachaduras no sentido do seu trajeto) e quanto aos buracos, ela vai bem, você recebe um tranco, mas se segurando você ultrapassa, já a roda de liga-leve….

Outro diferencial sentido de imediato, é a forma de aceleração que sempre é contínua, desaceleração idem, o que causa estranheza no primeiro momento, mas depois se acostuma a pilotar de forma correta e diferente de motocicleta.

Quais o maiores problemas em uma Scooter?

  • Primeiro lugar a carenagem,
    se você cair, ralar, tombar, encostar.. ela se risca, quebra, trinca… e apesar de se venderem peças em separado, o valor chega facilmente nos R$200,00 (cada parte), pode-se consertar em oficinas especializadas em para-choques de veículos ( mas você pode não encontrar a cor exata de fábrica), ou comprar na concessionária.
  • Segundo o cambio CVT,
    é sua vantagem, mas seu projeto é extremamente preciso, o que demanda em perda de desempenho ou mal funcionamento se alguma das partes estiver gasta ou degradada, o que acontece em torno de a cada 15.000km em média, muitas partes são feitas de borracha (correia), teflon/nylon (roletes), liga-aluminio (variador), que sofrem bastante com atrito e o calor gerado. Deve se ressaltar também que a potência gerada no motor não é 100% transmitida a roda, o CVT com correias é o sistema que mais tem perda, em torno de 20 a 25%, por este motivo não é incomum ver scooters que tem velocidade final muito abaixo de outras motos com transmissão de corrente que tem perda entre motor>roda de 5 a 10%.
  • Terceiro a carburação.
    A minoria das scooters ainda utiliza um sistema de carburação baseada em vácuo, diferente das motos comuns onde se utiliza o próprio cabo de aço para fazer o acionamento direto da agulha central, com isso pequenas sujeiras e vazamentos em mangueiras de ar, prejudicam o sistema. além do que o carburador ser mais simplificado, onde se regula apenas a gasolina, não existe regulagem da entrada de ar, que fica por conta de um filtro de ar limpo e o diametro da abertura do snorquel.
    Pela legislação, agora não se fabrica mais scooters carburadas , e sim com a  injeção eletrônica, com todas suas vantagens e desvantagens.
  • Quarto, desgaste/tamanho dos pneus.
    Devido ao tamanho reduzido em comparação com as motos comuns , ele dá mais voltas e claro, se desgasta mais rapidamente, no caso da Burgman que utiliza aro 10 o desgaste é maior ainda, sendo trocado a cada 6~9mil km, aros 13 como sa Sundow, a cada 9~12mil km. Scooters com aro 10 (B125 e Lead), tendem a sofrer mais com pisos irregulares, nada absurdo e que não se acostume, mas os amortecedores de 110mm nao dão conta. Buracos também a uma questão comum, mas por experiencia, ja passei em crateras, e ela, balança, dá um tranco forte, mas voce nao cai com facilidade, a roda pode entortar mas é raro.
  • Quinto o fabricante.
    Apesar de serem made in brazil , são na verdade é montadas aqui, o resto, praticamente 95% é tudo OLIGINAL.. OLIGINAL COLÉIA …CHINA ..INDONÉSIA , onde diferente daqui as fabricas não são centralizadas, e existem milhares de fabricantes de cada pecinha no fundo do quintal, que fornecem a outra gama imensa de montadores, que vendem ao mundo scooters com qualidade de A a Z, SIM!!!, cada peça tem seu nível de qualidade de material e precisão de fabricação, deixando o consumidor final completamente as cegas para saber qual frankstein comprar, dai a única saída é, pesquisar entre amigos e verificar quais modelos disponíveis no mercado tem uma qualidade um pouco melhor.. isso claro estamos falando das chinesas.. as européias.. é oooutro nível, pois apesar de serem também feitas na china, a exigência é maior com projetos exclusivos bem elaborados e serem o supra-sumo atualmente das scooters no mercado. Atualmente o mercado está amadurecendo e existem boas opções.
  • Sexto – Desvalorização.
    Sim, ela é cruel como todos consumíveis, mas nas scooters ela realmente pega pesado, chegando a 20% ao ano ou mais. Scooters não são investimento para pós venda. basta dar uma olhada em sites de veículos, mercado livre, etc. e verá otimas oportunidades de usadas. Bom para quem compra, ruim para quem vende.

No brasil todas scooters são chinesas?
Depende, a grande maioria, onde são importadas e montadas no Brasil (entenda montadas como pequenos ajustes, troca do óleo de transporte, ativação da bateria e pneus, na prática ela vem prontinha), alguns fabricantes tentam enganar dizendo que não são chinesas ( a suzuki diz tecnologia do japão – o que pode ser o projeto, mas são fabricadas na china), a NEO é fabricada na Tailândia com projeto japonês do tempo da nossa bisavó.

Todo produto chinês tem tipos de qualidade/durabilidade, e não obrigatoriamente são ruins, nem a identificação de seus fabricantes é garantia de bons ou maus produtos.

Entenda que ser “made in china” não significa que não presta, mas fique atento a modelos e marcas “estranhas” e só confie em modelos que foram testados por revistas e sites especializados.

E aqueles modelos lindos nas lojas de importadas?
São italianas, tem acabamento melhor, no geral ela tem a qualidade do conjunto que todas motos deveriam ter, não que sejam melhores, mas as chinesas é que baixaram o nível. Seu preço elevado e dificuldade de peças e manutenção, deve ser analisada com calma. Apesar de aqui no SCB, terem os manuais de serviço e links de lojas online no exterior, verifique sempre se o modelo desejado existe essa facilidade, e lembre-se que são difíceis na revenda.

Porque algumas scooters de marcas diferentes são muito parecidas?
Na china o que manda é a produtividade, e uma das peculiaridades de lah, é a descentralização, onde é comum achar pequenas fábricas de peças de fundo de quintal que fornecem para as grandes, e uma saída encontrada para o problema de compatibilidade foi uma padronização, conhecida como GY6, específica para scooters 125~150cc, com isso um chassi único pode aceitar vários tipo de carenagens, normalmente com algumas nuances, os motores tem encaixe padrão, também facilitando, e por ai vai.

O grande diferencial acaba ficando pelo tipo de MATERIAL e PRECISÃO DE ACABAMENTO, em cada peça, o que pode ser uma verdadeira salada de peças boas e duvidosas.. mas teoricamente elas são divididas em 5 grupos do péssimo ao melhor (leia durabilidade), e o principal indicador, mas não via de regra é o carburador(procure por mikuni) e CVT personalizado (veja se o CVT se tem bom acabamento). ítens como carenagem, freios e rodas não são bons indicadores pois justamente podem maquiar o que está por dentro.

Scooter precisa de CNH?
Sim, todo que qualquer veículo automotor necessita de habilitação, seja ela 50cc ou 400cc.
Claro que na prática é comum os policiais fazerem vista grossa para as cinquentinha, tanto nos grandes centros ou pequenas cidades, mas na estrada motos abaixo de 100cc são proibidas e sujeitas a apreensão.

Scooters se dão bem com estradas e longas distâncias?
Não. Scooters são veículos urbanos, feitos e projetados para isso, exceto as clássicas que seguram bem a onda devido a seu projeto robusto e simples.

Você pode viajar 400km em um dia tranquilamente, ela não vai se desfazer!, mas a correia vai esticar e ficar boba , por alguns minutos e depois de esfriar, retorna ao seu tamanho normal, mas isso vai abreviar a vida útil dela, além do superaquecimento das polias.

Então fique claro que a utilização contínua durante horas seguidas, estressa os componentes do CVT que tem sua vida abreviada e tempo de manutenção encurtado.

O motor apesar de trabalhar em RPM alto, com as devidas manutenções, não tem diferenças em relação a motos comuns e utilizar na estrada ou na cidade não faz muita diferença.

Vale uma ressalva de scooters mais parrudas, 250, 400 e 650cc, que claro, tem folego suficiente para enfrentar longos trajetos sem reclamar, afinal todo o conjunto dessas motos é mais robusto.

Scooter consome muita gasolina?
Depende de qual modelo e de como você acelera!, temos variações muito grandes até no mesmo modelo/marca, mas a conclusão é que a burgman(<2010) é a mais gastona (20km/l) e a NEO 2008 a mais economica(até 42km/l) na média geral, apesar da promessa dos vendedores da Lead(injeção) fazer 50km/l, na prática ela faz 37km/l.

Lembre-se, o transmissão de potência é transferida de forma contínua, variações para mais ou para menos influenciam muito no consumo, scooters na estrada consomem mais e na cidade consomem menos, por via de regra, mas como dito, depende do condutor.

Mas qual a velocidade máxima?
Das 125/150cc, é de 105km/h (Real), com máximas em descidas a favor do vento, etc.. de 115km/h, mas os velocímetros não são nada precisos, e tem bastante margem de erro de um para outro, na prática os valores são os mostrados acima. Motorização mais forte já foi implementada, mas apenas deixa a saída mais esperta . Scooter dentro do projeto a que foi feita, deve respeitar esses limites de velocidade. acredite, scooters não são seguras em altas velocidades. Mas se você quiser, existem mecânicas que melhoram a performance das scooters deixando ela equivalente a motos comuns 125 e até mais rápidas.

No caso da Honda Lead, existe um limitador de velocidade eletrônico, que corta a corrente quando se chega a 85km/h. Apesar de ser limitante, existem soluções alternativas no mercado negro para reprogramar o eprom (por conta e risco), ou trocar o comando eletronico, que é até viável..

E a retomada de velocidade?
Devido ao CVT, scooters não tem retomadas boas, por exemplo você está com o motor cheio, cvt transferindo a força máxima, e derrepente você corta a aceleração. Primeiro, o corte motor-roda não é imediato, em uns 5 segundos, o CVT normalmente desengata, mas ainda em posição digamos de 3a/4a marcha , ao voltar a aceleração ela tem um tempo de atraso de resposta considerável devido ao corte brusco, com experiência, se aprende conduzir de modo mais gradual, prevendo reduções/acelerações e aprendendo a ter mais sensibilidade no acelerador.

E a mecânica?
Atualmente somente nas concessionárias se consegue um serviço razoável, não existem cursos, e ai vai a experiencia do profissional e seus ajudantes, por isso a discrepância enorme de qualidade de uma concessionária para outra. Isso é um problema no Brasil de maneira geral, os profissionais não se atualizam e acabam sendo auto-didatas. No caso de scooters o CVT é algo que deve ser estudado profundamente para realmente compreender as forças envolvidas, para saber qual elemento está com problemas e solucionar, o que temos atualmente é o cara que troca as peças e acha que resolve. Em links existem outros mecânicos especializados.

E a garupa?
Notadamente scooters conseguem transitar nos centros urbanos sem grandes problemas com garupas, o que fica uma resalva é claro grandes ladeiras, que exigem do CVT e da habilidade do piloto em dominar a sua aceleração(é preciso aprender a controlar o cvt). Outro detalhe é o conforto, que é ruim na maioria delas ficando entre a Burgman a pior garupa (conforto) e a Jonny Atlantic/Dafra Laser/Honda PCX, a mais confortável. Das Maxi-scooters, como a Citycom 300i, tanto garupa como o piloto não sofrem quase nada, é praticamente um sofá.

Scooter serve para o meu propósito?
Scooters são bastante flexíveis, e muito utilizadas por universitários, executivos, empresários e uma infinidade de pessoas que buscam uma moto prática, fácil, bonita, não muito visada e principalmente barata, pois a maioria não quer gastar rios de dinheiro para utilizar no dia a dia.

Scooters vieram pra ficar e hoje já fazem parte da rotina urbana.

Histórico de Scooters – Situação no Brasil a partir de 2008