Depoimento – NEO 125

Comprei a minha em novembro de 2006.

2005, usada, 4900 km. Fiz a revisão dos 6000 km, e tá batendo os 7000 km agora. Não fiz nenhuma viagem longa ou extravagâncias. Só trabalho-casa-trabalho. Ultimamente estou fazendo umas visitas de serviço com ela, alongando bem os percursos.

Sobre a Neo, tenho a dizer que ela é muito boa em vários aspectos, mas muito ruim em outros.

Os bons são o motor, que mesmo sendo fraquinho, responde sempre lisinho, e não nega fogo em alta, já peguei 115 no velocímetro. Não baixa óleo, que dura os 3000 km numa boa.

A mecânica em geral inspira bastante confiança. Muito estável em pisos bons e em velocidades altas ou baixas, nem tanto em pisos ruins. Estreitinha, passa em qualquer canto, é engraçado ver as outras ficando e você indo embora.

A carenagem, plásticos e as borrachas são todos de ótima qualidade e de encaixes perfeitos, não rangem nada.

O CVT responde a contento e não me deu problemas até agora. Nada de estalos ou superaquecimentos, só umas patinadas normais da sujeira que cria nos roletes.

O porta capacete, a vista da concorrência, e os ganchinhos do escudo e do porta-capacete são tudo de bom. Ja fiz até feira com ela e deu para levar tudo, fiquei impressionado como dá para sair pendurando coisa, atentando para o bom senso, sem sobrecargas.

O farol duplo é uma segurança e é excelente, comparado com certas carniças como CG, YBR, especialmente a XLR do meu irmão, ô coisa triste, aquilo!

Freio a disco dianteiro muito forte mesmo, tanto que precisa saber dosar.

Partida elétrica impecável.

Tudo-abrindo-na-chave também é uma beleza!

Ruins, tem a suspensão, que tá acabando com as minhas costas. Recomendo procurar sempre percursos bem asfaltados e andar beeemmm devagar em pistas ruins. As molas dianteiras da minha estão arriadas com 7000 km! Atrás, as pancadas estão cada vez mais secas.

Os pneus finos e a distribuição de peso muito à frente transmitem certa insegurança ao frear com o dianteiro em curvas lentas. Evite! Mas abuse e use em linha reta. Já o traseiro, se não cuidar, trava mesmo.

As retomadas são fracas, o que dá de final, falta de torque.

As pedaleiras do garupa são horrivelmente mal posicionadas.

O balanceio do motor não é bom, ela vibra um bocadinho em marcha lenta, creio que a carenagem não ajuda na refrigeração, e logo aqui em Fortaleza, quente que só…

O afogador não funciona tão bem, com um ou dois dias parada, já dá um trabalhinho para pegar e estabilizar a lenta, mas não engulha não, dá para sair logo andando e esquentar logo, resolvendo o problema com 100 metros percorridos.

Ela tem o carburador bem sensível à gasolina batizada, também penso se não é a tx de compressão baixa. Me deixou na mão uma vez.

A partida a pedal é meio frágil, qdo fiquei na mão conforme acima e abusei um pouco dele, a mola de retorno perdeu a força.

Pneu traseiro furado para arrumar é chatinho, pela desmontagem. O vão é estreito nas duas rodas, e impede usar pneus mais largos. Um tubeless caia bem de fábrica. Tá pedindo outro traseiro com 8000 km, achei que rendeu pouco.

Painel feioso e muito deitado. 160 km/h é demais!

Autonomia baixa, 140 km, mas não tendo comprometido o espaço do porta capacete, dá até para entender.

Tampa do tanque oxida muito rápido. Evite tirar a proteção, senão aí que oxida mesmo. Aqui a maresia é cruel, pode ser isso também.

Acesso ao carburador inútil, tem que desmontar a carenagem lateral direita. Ela e a esquerda são meio chatinhas de encaixar, teve um mecânico grosso que forçou encaixar com uma chave de fenda e deu umas machucadas nelas. Ô raiva!

Retrovisores saem da posição com os buracos. O problema são eles ou a suspensão??

Que eu me lembre, é só.

Trabalharam na Neo 2008 muitos desses maus aspectos, mas não trocaria por ela de novo, pois para resolvê-los, só com outro projeto.

Fiquei meio decepcionado pela Y não ter trazido uma scooter 250, já tendo uma fora. Se ela adotasse o visual da NEO 2008 na Majesty e eliminasse algumas banhas dela, pô, trocava na hora! Já essas xing-ling, nem pensar.

Mas como as costas não estão aguentando mesmo e a expectativa meio infantil que eu tinha não se confirmou, estou pensando seriamente em partir para uma XTZ 125. Estou só esperando sair a 2008, se vier com IE, e motard, aí que pego mesmo, vai ser muito econômica, bonita e 100% urbana.

Só vou sentir muito a perda do CVT, do escudo-plataforma, do banco largo, do porta capacete, do farol duplo, ter que colocar um bauleto… Por isso, eu a recomendo. Não tendo que rodar muito nem por por pistas ruins, ela quebra o galho com muito conforto e comodidade, valendo a pena.

Quem me dera a grana estivesse sobrando, para eu não deixar de ter uma!

Abraços!