Injeção Eletrônica na Scooter Lead

por: PAULO JOSÉ DE SOUZA (www.oficinabrasil.com.br)

O Scooter Lead 110 foi lançado no Brasil no meio do ano de 2009, e segundo o fabricante, já atingiu a marca histórica de um milhão de unidades comercializadas no mundo. Aqui no Brasil já vendeu 19 mil unidades.

É fundamental para o reparador ter intimidade com a tecnologia, pois, em breve o Scooter vai chegar na sua oficina. Para o modelo, 2011 as diferenças estão limitadas apenas a alguns retoques na parte estética.

Num rápido comentário, o sistema PGM FI que equipa o modelo mantém-se fiel aos seus princípios e tecnicamente conserva a simplicidade do sistema de injeção eletrônica com os mesmos códigos de falhas e procedimentos de manutenção de outros modelos básicos da marca.

A ficha técnica do modelo analisado informa que o motor possui 108cm3, OHC (Over Head Camshaft), monocilíndrico, quatro tempos, com duas válvulas. O arrefecimento líquido é novidade para os scooters atuais e a potência máxima chega aos 9,2 cv a 7.500 rpm e o torque de 0,97 kgf.m a 6.000 rpm.

Desmontar o Lead é um exercício de paciência; são muitos parafusos e uma certa dose de cautela para desencaixar as carenagens e os acabamentos. Devemos ter a preocupação de não danificar as peças e também no final do serviço, saber a localização correta de cada componente, caso contrário, com as sobras podemos fazer um robozinho.

Em contrapartida a quantidade de parafusos nas carenagens colabora para reduzir a vibração das peças e por consequência para prolongar a vida útil das carenagens e etc.

Localização do sensor
A unidade de sensores está instalada no corpo de borboleta de aceleração. Para chegar até ela o acesso é simples: Basta remover o assento e o compartimento abaixo. Para abrir o banco, basta pressionar a chave de ignição.

A unidade de sensores está presente na maioria das motocicletas e scooters de baixa cilindrada equipadas com injeção eletrônica. Também é conhecida como sensor híbrido. A peça nada mais é que um jogo de sensores em um corpo único.

Todos os sinais fornecidos pelos sensores da unidade, assim como os demais dados vindos do sistema de injeção eletrônica, tornam a Lead muito mais eficiente. O ECM (módulo de controle do motor) combina de forma precisa todos os dados recebidos e calcula o volume exato de combustível necessário para qualquer solicitação do motor e o tempo ideal da ignição.

A unidade é composta de três sensores:

  • Sensor de posição do acelerador, conhecido como TPS (Throtthe Position System).
  • Sensor de temperatura do ar da admissão – “IAT”
  • Sensor da pressão do ar da admissão), que mede a pressão absoluta no coletor de admissão também conhecido como “MAP”.

A tecnologia adotada assegurou um excelente resultado no funcionamento do motor, assim como um incremento na potência e no torque em todas as rotações, ponto positivo para o sistema de injeção eletrônica PGM-FI e também para os outros sistemas que utilizam o sensor multifunção.

Por questões de espaços reduzidos, este sistema é um dos mais adequados para motocicletas e scooter e, por este motivo, a adoção de um medidor de massa ou de fluxo de ar foi descartada.

A otimização do espaço e a boa localização dos componentes permitiram a utilização de coletores de admissão com o desenho adequado ao desenvolvimento de maiores torques e potências mais elevadas, conferindo ao motor um funcionamento uniforme e respostas rápidas na aceleração.

Classificação da injeção
O sistema que calcula o volume de ar da admissão através da relação do ângulo de abertura da borboleta e pressão do ar no coletor de admissão em função da rotação do motor é conhecido como “speed density”, traduzido como densidade da velocidade.
O volume de ar não é proporcional à pressão no coletor e pode variar sua viscosidade e densidade, conforme a temperatura e pressão, e, por este motivo, é necessário que haja um conjunto de sensores trabalhando simultaneamente para que o ECM possa calcular o seu volume e ajustar a mistura ar/combustível, buscando sempre o padrão estequiométrico.

Duração da injeção
A maioria das motos utiliza a combinação dos sinais dos sensores de pressão na admissão e posição da borboleta de aceleração com rotação do motor para determinar a duração da injeção.

Na baixa rotação do motor, a duração da injeção é o resultado da combinação da pressão no coletor de admissão com a rotação do motor. Variando a pressão ou a rotação do motor, a duração de injeção muda.
O ECM recebe os parâmetros de pressão do ar da admissão com suas respectivas variações.

A central utiliza as informações obtidas no sensor de pressão e determina a melhor estratégia de funcionamento para cada solicitação. No ECM, existem programas pré-definidos para o caso da falta do sinal de pressão do motor para assegurar o funcionamento do Scooter.

Média e alta rotação
O ECM monitora a posição da borboleta e também acompanha as mudanças bruscas de aceleração. Caso haja alguma pane no sensor de posição da borboleta (TPS), a central eletrônica utiliza programas pré-definidos combinados com as informações obtidas no sensor de pressão no coletor, para assegurar o funcionamento do motor. Porém ele pode apresentar falhas em alta rotação e também em acelerações rápidas.

Na alta rotação a duração da injeção é o resultado da combinação da posição da borboleta de aceleração (TPS) com a rotação do motor variando a posição do acelerador ou a rotação do motor, a duração da injeção muda.
Também colabora para a formação da mistura o valor de temperatura do ar da admissão.
Para o caso de alguma pane em um dos sensores, ou em todos ao mesmo tempo, o ECM irá efetuar o diagnóstico e indicar a falha por meio da luz de anomalia.

Cuidados na lavagem
Os cuidados são os mesmos de uma motocicleta. Mesmo o Scooter, que tem seus componentes elétricos protegidos pelas carenagens, a recomendação é válida.

Durante a lavagem, evite direcionar o jato d´água entre o para-lamas dianteiro e traseiro e as carenagens para não deixar cair água nas conexões dos fios e dos demais sensores, pois o Scooter pode falhar enquanto houver água no sistema.
Evite ainda jato d’água de alta pressão, pois caso algum sensor seja atingido pela água, pode ocorrer uma confusão de códigos de anomalias na luz de alerta da injeção que irão apontar os códigos de falhas falsos). Neste caso, remova o sensor e passe um jato de ar de baixa pressão até que o componente esteja totalmente seco. Proteja todos os componentes elétricos com um plástico.

Para efeito de testes, os manuais de serviços informam os valores de resistência dos componentes, tensão de entrada e saída da central eletrônica etc. Sempre que a luz de alerta indicar uma pane em um componente, é importante efetuar uma avaliação da peça e também checar a fiação, assim como os fusíveis. Um multímetro digital completo de boa qualidade é muito útil para a execução do trabalho. Caso um dos sensores do conjunto tenha uma pane esteja, é necessário que o sensor hibrido seja substituído.

Autodiagnose
Cada defeito é representado por um código, existe um padrão de piscadas da luz que indica o mau funcionamento (MIL) no sistema de injeção.
Os defeitos são armazenados no ECM e podem ser acessados com o auxílio de um jumper no conector de diagnósticos (DLC) que fica atrás da carenagem frontal, próxima a bateria, ou com o auxilio do scanner.
Existem dois padrões de piscadas: uma longa e outra curta. A piscada longa equivale a”10” e a piscada curta equivale a”1”.
Os códigos exibidos podem corresponder tanto para os defeitos presentes ou para os defeitos passados.Para acessar os defeitos passados é necessário seguir um procedimento. Quanto ao defeito presente, o mesmo aparece espontaneamente ao ligar o Scooter.
Os armazenamentos de mais de um código exibição será em ordem crescente.

Verificação da Luz de anomalia e indicação de defeito atual
Na condição normal, ao ligarmos a chave de ignição da motocicleta, a luz indicadora de defeitos da injeção eletrônica permanece acesa por alguns instantes e, em seguida, será desligada. Se a luz não acender, inspecione o seu circuito.

Para verificar se há código de defeito, ligue o motor e deixe funcionar por alguns instantes. A luz indicadora de mau funcionamento deverá a piscar e repetir o ciclo inúmeras vezes.

Apagando o defeito memorizado

  • Remova a carenagem frontal e localize o conector de diagnóstico próximo à bateria. Com a chave de ignição desligada faça um jumper no conector.
  • Ligue o contato da ignição.
  • Remova o jumper.
  • A luz indicadora de mau funcionamento acenderá por 5 segundos. Este momento conecte o jumper. (ponte com um pedaço de fio). Os defeitos memorizados serão apagados se a luz acender e começar a piscar. Conecte o jumper novamente enquanto a luz estiver acesa.
  • Os defeitos memorizado não poderão ser apagados se a chave de ignição for desligada antes da lâmpada começar a piscar.

Na edição anterior, apresentamos a unidade de sensores do sistema de injeção eletrônica do scooter Lead e, neste número, vamos explicar o funcionamento do IACV (Idle Air Control Valve), válvula de controle do ar admitido, conhecido como motor de passo. Tambémvamos apresentar alguns diagnósticos e as principais dicas.

Na Lead, a regulagem da marcha lenta é automática e os ajustes necessários são comandados pela central eletrônica o ECM. O ajuste é preciso e a rotação é equilibrada; não há oscilação. Quando o Scooter estiver com o motor frio, a rotação irá elevar-se sistematicamente e, após atingir a temperatura normal de uso, a rotação cairá para o valor estabelecido pelo fabricante, assegurando baixo consumo de combustível e menor índice de emissões.

Atualmente nem todas as motocicletas, motonetas e scooters equipadas com injeção eletrônica possuem o atuador de marcha lenta (motor de passo). Os sistemas mais básicos necessitam que o reparador efetue o ajuste manual da rotação. Nos mecanismos mais comuns, as regulagens são efetuadas pela alteração do ângulo da(s) borboleta(s), técnica semelhante à do carburador. Existe também o procedimento de ajuste de um parafuso de regulagens de entrada de ar no corpo de aceleração.

Fique atento: a rotação de marcha lenta mal ajustada pode ser motivo de reprovação na inspeção veicular de emissões na cidade de São Paulo.

Localização e funcionamento
O IACV está localizado no corpo de borboleta de aceleração instalada em um dos dutos tipo by pass. O mecanismo é responsável em fornecer suprimento de ar necessário para a marcha lenta do motor. O princípio de funcionamento do IACV baseia-se na energização de suas bobinas, que obedece uma sequência pré-determinada.

O controle de rotação de marcha lenta é dado pelo deslocamento de um êmbolo deslizante controlado eletricamente. Os movimentos para frente e para trás são determinados pelo ECM, o módulo eletrônico fornece tensão ao atuador.

Avaliação do Motor de Passo com o auxílio de um multímetro

1. Inspeção da resistência na IACV
Obs.: testar com a ignição desligada

Medir a resistência nos terminais do conector da IACV
Conexão:
A-D
B-C

Padrão: 110 a 150 Ω (20 ºC)
Se os valores correspondentes a resistência estiverem diferentes do especificado, substituir a peça.

2. Inspeção de curto-circuito no conector da IACV
Verificar a continuidade nos terminais
Conexão:
A-B
C-D
Padrão: Não deve haver continuidade
Caso haja continuidade, substituir o componente.

Nesta matéria, vamos apresentar o sensor de inclinação do chassi.
A evolução da tecnologia proporciona benefícios e tornam os veículos mais seguros.

Uma vantagem para os usuários do Scooter Lead: o sensor de ângulo de inclinação do chassi é um dispositivo de segurança que monitora o ângulo do chassi, e em caso de queda do Scooter, o fornecimento de combustível é interrompido por meio da corte da alimentação da bomba de combustível e ignição.

Este dispositivo tem como principal função a segurança, em condição estática caso haja inclinação superior ao limite máximo de inclinação que é de 49+/- 4°, haverá o corte do funcionamento do motor, para que não ocorra maiores prejuízos ao motociclista e também ao Scooter

O sensor está presente nas demais motos da marca e também nos principais concorrentes. Neste modelo o sensor está localizado na parte traseira do chassi e é alimentado pela tensão proveniente da bateria.

Sensor ou interruptor?
A nomenclatura correta do dispositivo é “sensor de ângulo de inclinação do chassi”. A dúvida existe porque normalmente a função de desligar um componente é atribuição de um interruptor.

Durante a condução do Scooter, o ângulo definido pelo sensor de inclinação não pode sofrer alterações, para que o motor não falhe ou até desligue e seu usuário caia. Por exemplo, em uma curva, a força centrífuga mantém os elementos internos do sensor no mesmo ângulo da posição da motocicleta.
Assim, o movimento de oscilação dos componentes internos do sensor de ângulo será reduzido, mesmo em condição de inclinação durante a trajetória de uma curva.

O sensor é montado em coxins que absorvem a vibração que também poderiam provocar falhas no funcionamento do motor ou até desligá-lo.
Para facilitar a montagem da peça, existe uma referência de montagem “UP” que deve ser montada para cima.

Na Lead, a injeção eletrônica é semelhante aos demais sistemas, relês, sensores, atuadores e interruptores compõem o conjunto.
Caso haja algum defeito no sensor de ângulo de inclinação do chassi o sistema não será acionado e o Scooter não irá funcionar.

A perfeita compreensão do sistema é importante para o diagnóstico adequado dos possíveis defeitos que poderão ocorrer.
O correto funcionamento do motor só é possivel quando o relê de parada do motor está fechando o circuito. Neste momento a tensão da bateria alimenta a bomba de combustível, por meio de um relê que fornece energia para ativar o modulo eletrônico que, por sua vez, irá gerenciar a distribuição de tensão para a maioria dos componentes da injeção.

O circuito abaixo mostra que a tensão proveniente da bateria segue até o contato principal do relê de parada do motor, chave da ignição, interruptor de parada do motor (engine stop). Para que a tensão alimente o relê e a bomba de combustível, assim como o ECM é necessário que o sensor perceba que o Scooter esteja na posição vertical, condição para que o circuito seja fechado pelo relê de parada do motor e o Scooter funcione.

Queda
Durante a queda, o desligamento do motor se dá quando um relê de corte é desarmado devido ao posicionamento do sensor. Após levantar o Scooter, a chave de ignição deverá ser desligada e, após alguns segundos ligada para que o Scooter volte a funcionar novamente.

Diagnose de defeitos
Informações compartilhadas do manual de serviços I

Passos para a inspeção do sistema
Com a motocicleta apoiada no cavalete central, desligue o interruptor de ignição, remova o assento e o baú sob o assento e remova os parafusos do sensor.

Mantenha o sensor na posição normal e ligue a chave de ignição. O sensor estará normal se o relê de parada do motor emitir um click.
Incline o sensor aproximadamente 49 +/- 4° para a esquerda ou para a direita mantendo o interruptor da ignição ligado.

O sensor estará normal se o relê de parada do motor emitir novamente um click, indicando que o circuito está aberto e nesta condição o motor não irá funcionar.
Caso o sensor não funcione, inspecione o circuito. Caso não haja falhas, substitua o sensor e verifique novamente.

Passos para a inspeção do circuito
Com a motocicleta apoiada no cavalete central, desligue o interruptor de ignição, remova o assento e o baú sob o assento e desacople o conector 6p do sensor de inclinação.
Depois, ligue o contato da ignição e, com um multímetro na escala DCV, meça a tensão nos terminais do conector do lado da fiação.

CONEXÃO:
Preto (+)
Verde ( -)
Padrão: A voltagem obtida deve ser igual à da bateria.

Durante o teste, caso não obtenha o valor de tensão igual a bateria, verifique os itens abaixo:
– Circuito aberto no fio Preto
– Circuito aberto no fio Verde
Caso a voltagem da bateria seja indicada, verifique conforme descrição abaixo:
CONEXÃO: Vermelho/Laranja (+) Verde (-)
PADRÃO: A voltagem obtida deve ser igual à da bateria
Se a voltagem da bateria não for indicada, verifique quanto a circuito aberto no fio Vermelho/Laranja.